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O meu ano de empreendedorismo tecnológico

Chegou a hora de mudar de vida.

Consegui uma oportunidade para experimentar uma coisa completamente nova. Um ambiente que conhecia, superficialmente, no final do meu curso.

Chegou a hora de mudar de vida.

Consegui uma oportunidade para experimentar uma coisa completamente nova. Um ambiente que conhecia, superficialmente, no final do meu curso.

Sendo assim, chegou também a hora de reflectir sobre este meu último ano, passado exclusivamente em pequenas startups tecnológicas.

Mas o que aconteceu para começar a jornada do empreendedorismo?

Durante o meu curso, tive a oportunidade de trabalhar com uma startup e de perceber como as empresas tentam recrutar finalistas e recém-licenciados. No final, tive uma boa perspectiva do quão fácil é transmitir e partilhar informação e conhecimento em equipas pequenas e uma não tão boa perspectiva sobre a forma guerrilheira que as grandes consultoras têm para atrair, contratar e reter os recém-contratados. No final, fiz uma dissertação dentro da universidade — que poderia ter corrido um pouco melhor.

Com estas experiências e com a visão que tinha de que não precisava de sair da minha cidade para conseguir fazer a minha vida, decidi procurar por trabalho nas empresas que lá existem — tendo-o conseguido de uma forma bastante rápida. Depois dessa experiência, ainda no ano em que concluí o curso e sem uma aposta no futuro, fiquei livre e cruzei-me com a minha primeira startup.

Chamar-lhe-emos XPTO.

XPTO era uma startup bastante ambiciosa, com o objectivo de conseguir chegar ao topo da montanha que (quase) todas querem escalar: Silicon Valley. Tinha um pequena aplicação móvel pronta e acabava de formar uma equipa para apontar ao cimo.

De facto, é engraçado poder montar tudo do início — e falo mesmo do início, sem cadeiras ou mesas prontas! Um bom exercício de construção de equipa e de sociabilização.

Os problemas começaram a surgir depois. Para além de uma equipa formada por recém-licenciados e alguns finalistas, o processo de criação de software não estava presente, a um nível profissional. Isso e também a formação de quem estava à frente não ter passado por nenhuma engenharia — o que dificulta a concepção de um projecto na área.

Pelo que, aprendizagem 1: na impossibilidade de haver um líder da área, é obrigatório uma pessoa que consiga fazer uma transferência de conhecimento entre os dois lados.

Essa transferência de conhecimento pode estar ligada não só à comunicação, mas também à especificação de tarefas, processos, papéis, postos de trabalho e de objectivos a cumprir.

Sem esse mediador, senti-me perdido e com uma rotatividade demasiado grande entre vários papéis, pelo que a experiência não durou muito tempo e o meu caminho e o da startup bifurcaram-se.

Enquanto estava entre empregos aproveitei para me melhorar enquanto pessoa, diversificar o meu círculo social e acumular novas experiências pessoais e profissionais. Há que dizer que foi um renascimento meu e que me ajudou a perceber o que queria fazer com a minha vida.

Até que, certo dia, vi um evento de empreendedorismo fora da minha cidade. Eram apenas 50km e conseguia chegar bastante bem até lá. Fui e gostei. Tentei procurar algo na cidade e consegui rapidamente.

Entrei na… vamos chamar-lhe OTPX.

OPTX era mais austera que XPTO. Era uma pequena startup que, aos poucos, conquistou o seu investimento e uma pequena parcela de mercado que lhes tinha permitido uma parceria e uma pequena fonte de rendimento. Era composta por uma equipa que já estava junta há algum tempo e com o sonho de elevar a sua marca para um mercado bastante mais agressivo e competitivo.

No entanto, nunca tinham conseguido ter um resultado que pagasse as contas. A pequena fonte de receita que tinham não dava, de todo, para cobrir todas as despesas; e havia, por parte dos investidores, pressão para conseguirem criar um produto que conseguisse essa receita. Apesar dessa pressão passar pelo aumento dos utilizadores, é uma métrica que, apesar de muito falada, pode não ser convertível em receita.

Assim sendo, precisavam de um produto para conseguir chegar aos smartphones dos potenciais utilizadores. Foi aí que entrei em acção, no seu desenvolvimento.

O problema da receita foi, possivelmente, aquele que mais afectou o desenvolvimento. Foi aquele que não permitiu um caminho claro e rentável, para que o sistema a desenvolver estivesse protegido o suficiente, com requisitos que poderiam ter mais tempo para ser trabalhados e testados.

Ou seja, a aprendizagem 2: por qualquer problema vindo de uma fonte de investimento, a raiz desse problema é a falta de rentabilidade económica.

O problema da falta de liquidez tinha origem nos inícios da startup: os líderes tinham um problema, queriam um produto e lançaram-no. No entanto, tudo isso foi lançado sem um estudo a confirmar se esse problema é tão impossibilitador de uma tarefa, ou seja, que o pagamento do produto se traduziria numa poupança.

Juntando aos problemas circunstanciais essa falta de bases e a falta de um futuro focado e orientado para um propósito maior, ditou o fim da parceria depois da conclusão do trabalho prometido.

No final de tudo isto, o que aprendi?

Neste ano que passou, passei a encarar a vida como sendo uma maratona e não como um sprint.

Sendo um sprint, existe menos espaço para dúvidas. Havendo menos espaço para dúvidas, menos necessitamos de ouvir outras pessoas, que falam por experiência. O que nos leva a uma situação bastante desconfortável no futuro, onde poderemos cair com bastante força.

Acima de tudo, um sprint não nos permite aproveitar aquilo que temos agora: as circunstâncias, as pessoas, as aprendizagens e as memórias. É tudo aquilo que levamos connosco.

Por isso, se sentires que estás mais atrás que outras pessoas, nunca te esqueças que as situações de outras pessoas são apenas diferentes, não melhores ou piores. É impossível apagar os problemas que existem, mesmo trocando de vida.

E, acima de tudo, para que possas aproveitar tudo o que tens no presente, semeia o sentimento de curiosidade e de partilha com qualquer pessoa que se possa cruzar contigo. Sairás mais rico e essa pessoa também. Tenta compreender o porquê de ela ser assim e de ter tomado as opções que tomou.

É com estas lições aprendidas que me lanço para uma nova fase da minha vida e que deixo esta minha presença empreendedora em pausa. Talvez nos voltemos a cruzar. Nunca se sabe.

O que mais desejo é que, tanto eu como o mundo empreendedor, estejamos melhores no futuro e tenhamos as nossas alegrias, memórias e vitórias!

Ao sucesso!

Vitor Santos

Software Engineering. Web & Mobile Development. UX & UI Planning. Startups Development.

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22 Maio 2016 | Vitor Santos