Um apelo para os developers em startups

Para que uma empresa exista, deve fornecer valor acrescentado a um conjunto de pessoas.

Numa startup, esse valor acrescentado é fornecido através de um serviço e/ou de um produto, produzido de forma a que possa ser entregue no mais curto espaço de tempo, com qualidade.

Numa startup tecnológica, é quase impossível não considerar os engenheiros de software para conceber tais produtos e serviços.

Não é preciso ir muito longe para dar de caras com tamanha importância dada: cada vez mais os MOOC relacionados com programação e iniciativas de reconversão profissional para desempregados são procurados para dar resposta a uma área que carece de profissionais.

No entanto, e apesar do estigma associado a estes profissionais ser menor, comparado com um passado não muito distante, a profissão ainda é vista como sendo ocupada por pessoas que não possuem grandes capacidades de sociabilização.

Existem várias razões para esta imagem, entre elas:

  • A necessidade de criar uma distância de segurança, para que elas possam ter o espaço e a energia necessárias para conceber produtos com qualidade, num dado espaço temporal;
  • A tal necessidade de protecção em relação ao mundo exterior. Isto tem a ver com a ansiedade de não ter controlo daquilo que acontece fora de si; no caso da programação, esse controlo é maior e é uma forma terapêutica de libertar a sua angústia;
  • Simplesmente, falta de curiosidade sobre o que se passa fora do mundo entre o utilizador e a cadeira. Sempre é um espaço confortável, nunca existiu insatisfação; por isso, nunca existiu uma razão maior para mudar.

Como encarar a situação?

Como podemos fazer com que os developers possam estar mais abertos ao lado social, fazendo com que todos possamos ganhar com a partilha de informação e experiências?

Primeiramente, e para que esta mudança possa ser um volte-face que empurra a vida para a frente, é necessário partir dentro de nós e perguntar se existe esta necessidade. Para ver isso, é preciso fazer se estamos realmente satisfeitos com o que temos. É preciso perguntar se a vida é só isto que temos agora. No fundo, a não ser que a vida esteja 100% bem, há sempre algo a melhorar. Por isso, é pegar nisso e ver se uma mudança na sociabilização ajudará o nosso estado actual.

Ao fazer essa análise, à medida que nos vamos perguntando sobre nós e sobre o nosso estado actual, vamos descobrindo sobre aquilo que somos. Eventualmente, descobriremos sobre quais as origens da nossa personalidade e de que forma ela foi condicionada. Tentar perceber o porquê ajuda-nos a traçar um plano de acção.

É esse plano de acção que será executado, no passo seguinte. Aqui, o contexto da sua aplicação é importante. Conforme as necessidades e as circunstâncias do momento, é preciso ver se é adequado começar essa aposta apenas dentro da startup ou se é possível ir mais além, a nível da incubadora ou de interacções com o mundo exterior.

Com isto, é necessário ser paciente e observar o progresso dessa evolução. Estamos a falar sobre uma evolução progressiva, mas lenta; de forma a que todo o trabalho desenvolvido tenha fortes probabilidades de sucesso.


A partir de dentro, é possível cultivar a mudança que é vista do lado de fora — sensibilizar quem, de uma forma ou outra, não vê as potencialidades do social para evoluir, pessoal e profissionalmente. É na partilha que vamos testando aquilo que funciona e o que não funciona, dando diferentes perspectivas sobre o mercado que é criado pelos produtos criados, bem como a própria concepção dos próprios produtos.

No fundo, partilhar faz com que cada um seja o ponto de referência naquilo que é melhor dominado por cada um — aumentando o seu impacto e, por consequência, o seu valor.

Vitor Santos

Software Engineering. Web & Mobile Development. UX & UI Planning. Startups Development.

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Author: Vitor Santos

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