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Startups e Equilíbrio Mental

Vivemos numa era de mudança.

Actualmente, um pouco por todo o mundo, existe uma mudança de paradigma na forma como se vive o mundo profissional. Cada vez mais pessoas optam por abandonar...

Vivemos numa era de mudança.

Actualmente, um pouco por todo o mundo, existe uma mudança de paradigma na forma como se vive o mundo profissional. Cada vez mais pessoas optam por abandonar empregos em grandes corporações (seguros no pagamento, mas cujo trabalho traz pouco impacto ao mundo), para seguir uma vida de trabalhador independente; ou aproveitam mesmo todo o seu conhecimento adquirido até então, para criar a sua própria empresa.

Quando isso acontece e as empresas têm sucesso, vemos um grande número de notícias a proclamar todo um novo mundo empresarial a ser criado. Um mundo onde, finalmente, quem tenha mérito consegue conquistar o mercado e ter sucesso.

No entanto, essa publicidade ao sucesso não está a ajudar ninguém.

Numa sociedade que valoriza os sucessos e estigmatiza os erros e os falhanços, temos tendência para pensar que a maior parte das startups têm sucesso. Não é o caso — cerca de 92% das startups falham, durante os primeiros 3 anos de vida (em que 74% delas falham, devido a escalonamento prematuro da empresa: como contratar mais pessoas do que o necessário, grandes operações publicitárias quando não há modelo de negócio, etc.).

Devido ao condicionamento existente, apesar do sucesso de uma startup ser algo mais raro do que aquilo que se perspectiva, todos os que estão no meio encaram o sucesso como sendo algo que está praticamente garantido. Isso faz com que, quando algo corre mal, se pense que existe algo de errado com a pessoa, em vez do negócio em si. À medida que essa sensação de síndrome de impostor vai ficando cada vez maior, a qualidade de vida de uma pessoa também piora.

Se não houver precaução e um bom suporte social, um fundador pode entrar numa espiral depressiva e, quando isso acontece, digamos que não acontecem coisas muito boas — quer para si, quer para todos o que estão à sua volta.

O que fazer para tornar esta situação mais suportável?

Não guardar tudo o que corre menos bem para ti

Numa situação destas, o mais difícil é dar o primeiro passo.

Os primeiros passos são dados depois de uma pessoa passar por eventos traumáticos: um investimento que não correu bem, disputas que existam dentro da equipa, até mesmo relações interpessoais que correm mal (por imensas razões).

Por ser mais fácil sentir que algo está errado, nessas situações, há que usá-las para dar a volta à situação. Não escondas! Conta a alguém em quem consigas confiar e explica que não está tudo bem, que há coisas que correram mal. Não caias na imagem, muitas vezes cultivada, da pessoa que é forte e que não precisa de ser social para seguir em frente no seu caminho.

Pedir ajuda

Quando o passo mais difícil, o de contar que não está tudo bem, está feito, há que tomar decisões para conseguir ultrapassar. No entanto, tomar decisões para melhorar a saúde mental é bastante difícil. Por isso, torna-se essencial pedir ajuda. Ajuda profissional, especialmente. Não só estás a reconhecer a existência de um problema, como também estás determinado a querer transformar-te numa pessoa melhor.

Desmistificar a vida de glamour, associada ao empreendedorismo

Numa tentativa de melhor vender notícias, estamos a criar uma situação que não será favorável a ninguém em particular, a longo prazo: a imagem de que o empreendedorismo é a nova mina — onde todos podem criar os seus projectos, onde todos eles terão a sua existência validada à partida e onde todos poderão viver felizes para sempre. Como podemos ver, a frequência dessa situação é pequena.

Por isso, torna-se imperativo trazer aquilo que de mau e de feio o mundo do empreendedorismo tem. É preciso sensibilizar que sozinho não se chega longe e que é um trabalho que demora anos a fazer e a conseguir detectar oportunidades para se vir a ter projectos de sucesso.

Mostrando o que realmente acontece, é um ponto de partida para que mais gente se sinta confiante para partilhar as suas histórias e angústias

Ao dar mais transparência a tudo o que acontece na arte de conceber projectos que melhorem a vida de todos, cria-se terreno para que mais pessoas possam mostrar as suas preocupações e angústias, durante todo esse processo de idealização, criação e fornecimento de soluções.

Ao criar esse terreno, e com a troca de experiências, é possível retirar ideias e ajudar toda a gente, com essa troca precisamente. É verdade que não existem dois casos exactamente iguais, mas é possível criar pontes de ligação entre elas e, de facto, haver soluções que sejam válidas para que todos possamos seguir em frente.


No fundo, tudo isto serve precisamente para dar mais credibilidade e bases de sustentação a tudo o que tem sido feito no empreendedorismo. É preciso acabar com o empreendedorismo enquanto buzzword. É necessário criar o empreendedorismo como sendo uma via para resolver problemas que existam no quotidiano e que nos leve para uma vida melhor e mais sustentável.

Vitor Santos

Software Engineering. Web & Mobile Development. UX & UI Planning. Startups Development.

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11 Janeiro 2016 | Vitor Santos