Querer é poder: o Summit em Lisboa é uma vitória de todos!

Confesso: procurei uma foto pois uma imagem vale por mil palavras! Queria ilustrar o meu artigo com o contraste de Paddy Cosgrave em T-Shirt e calças de ganga no meio dos ilustres (engravatados) da cena politica nacional.

Não tenho nada contra o estilo do nosso vice-primeiro ministro nem do secretário de estado da economia. Apenas queria ilustrar o contraste no vestuário e no paradigma entre a cena politica nacional e a startup scene.

Antes demais a verdade: o Summit (também conhecido como o Davos para nerds) vem para Lisboa não porque a nossa cena politica o financiou, ou fruto de acções diplomáticas encetadas e planeadas ao detalhe. O Summit vem para Lisboa porque assim o quisemos! Todos nós.

Paddy Cosgrave, confessou que o movimento no Facebook, os twitters diários e os imensos emails fizeram Lisboa ser eleita contra a outra finalista: Amsterdão!

Por ter uma forte actividade (muito ligada ao empreendedorismo) em ambas as paragens creio que poderei explicar um pouco as diferenças e razões porque a escolha pendeu para Lisboa nos próximos 3 anos.

Amesterdão por ser parte de um país desenvolvido, a realidade económica é distinta. Grandes empresas multinacionais oferecem empregos bem remunerados. Os Holandeses são os melhores vendedores do mundo (basta terem transformado a prostituição e as drogas em negócio muito lucrativo para toda a cidade!), facilmente compram e vendem via internet sem contacto pessoal e a sua cena politica incentiva a startup scene de forma construtiva mas não institucional, ou seja, a cena politica na Holanda aposta em facilitar em detrimento de financiar!

Um exemplo da diferença das cenas politicas de ambas as paragens é a forma como estas trabalharam o fenómeno de capital de risco (o necessário financiamento para o sucesso de uma startup). Em Portugal desenvolveram-se linhas de financiamento e mesmo instituições como o Portugal Ventures. Na Holanda preferiu-se atrair os inúmeros VC’s e Angel Investors. Como? Através da concorrência fiscal: em Portugal existe algo chamado mais-valias, ou seja, uma empresa que invista noutra e a venda com enorme beneficio (mais-valia) tem de pagar ao estado cerca de 25% desse beneficio. Na Holanda o beneficio é integralmente para o investidor! Estes princípios fiscais explicam porque muitas empresas do nosso PSI 20 estão sediadas neste país.

A Portugal Ventures e os seus 450 milhões têm sido fundamentais para o desenvolvimento da startup scene nacional. Da mesma forma como, na Holanda, se instalaram as principais organizações europeias de capital de risco.

São diferenças estratégicas ambas com o mesmo intuito: desenvolver a startup scene!

Por isso, comparemos a startup scene de ambas as paragens.

Em terreno fértil, com uma economia madura e muitas multinacionais existe a massa critica necessária para a rápida expansão deste novo paradigma económico.  Muito antes de Portugal, a Appsterdam lançou esta cidade para o centro das atenções na Europa. Mais recentemente, a Amsterdam Tech Hub, está a solidificar a startup scene. Contudo, existe uma ameaça: a riqueza, a vasta oferta de empregos bem remunerados e os elevados padrões de vida estão a gerar na Holanda um excessivo conforto que impede as pessoas de arriscarem. Talvez a preguiça seja o pior inimigo da startup scene holandesa!

Em Portugal, tudo é diferente! A crise, o desemprego e a mais qualificada geração de sempre são os ingredientes necessários para transformar Portugal na next big scene!

O Web Summit percebeu isso. Percebeu que existe um Portugal além dos engravatados ministros, um país de gente bem formada que luta, insiste e chateia para desenvolver uma via construtiva e regeneradora, percebeu que Portugal tem os portugueses!

Devemos estar orgulhosos! É raro ultrapassar Amesterdão e Paris numa área económica. Mas o principal motivo de orgulho é porque conseguimos fazê-lo não por força institucional mas por força da vontade de cada português! Afinal, querer é poder!

 

Jorge Saraiva

O Jorge é Business Angel na TST (Holanda). Para além desta atividade, dirige ainda o laboratório web/mobile CodeAngel (www.codeangel.eu) em Braga. É, ainda, presidente de um dos maiores movimentos cívicos na cidade de Braga: o Dish Mob.

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Author: Jorge Saraiva

O Jorge é Business Angel na TST (Holanda). Para além desta atividade, dirige ainda o laboratório web/mobile CodeAngel (www.codeangel.eu) em Braga. É, ainda, presidente de um dos maiores movimentos cívicos na cidade de Braga: o Dish Mob.

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