Bacanal de ideias!

No dia 22 de Janeiro, em Braga, o IEMinho organizou um evento sobre o tema: “ecossistemas empreendedores”.

Integrado neste evento surge, uma vez mais, a pergunta ridícula que ainda se teima fazer: “Revolução Empreendedora ou Evolução Empresarial?”.

Alvin Toffler, nos finais da década de 70 do século passado anunciava a terceira vaga. Uma vaga é algo que muda radicalmente tudo! Desde a economia até a sociedade e a politica! A primeira vaga derivou do advento da agricultura transformando o Homem de nómada para sedentário. A segunda, oriunda da Revolução Industrial, levou a humanidade para as cidades e instaurou a democracia.

A terceira, fruto da informática (e Internet) está agora a decorrer…

Muitos empresários, políticos e académicos do nosso país afirmam frequentemente que a raiz dos nossos problemas foi termos falhado a revolução Industrial! Provavelmente os mesmos que agora olham para a revolução empreendedora  tentando minimizá-la como apenas pequenos ajustes se tratasse.

Louvável neste evento, foi lançar este tema para um debate composto por Greg Horowitt da T2 Ventures em S. Diego, Silicon Valley, Omer Pomerantz consultor e mentor sobre empreendedorismo em Israel e Juliano Seabra da Endeavor Brasil.

Greg Horowitt, investe dinheiro do seu fundo (vários milhares de milhões de dólares!), essencialmente em startups revolucionárias (twitter e uber por exemplo). O gigantesco retorno que obtém na maioria das vezes, são provas vivas que os velhos sistemas financeiros (leia-se: a banca!) não estão apenas à distancia de uma evolução empresarial!

Greg começou por explicar muito bem a mudança de paradigma que vivemos. Até esta vaga, a economia baseava-se na transformação! Basicamente  as empresas pegavam em algo, acrescentavam valor e geravam um novo produto. A fórmula é tão simples como isso: pega-se em cacau e transforma-se em chocolate! Inclusivamente, na tecnologia, ainda existe este paradigma: pega-se no silício e fabricam-se computadores. Por essa razão, nem toda a tecnologia cabe no mesmo paradigma.

Hoje, afirma Greg, estamos numa era de excessos pois esta fórmula económica já está dissipada em todo o mundo de tal forma que não acrescenta qualquer valor! Estamos perante a revolução empreendedora e isso é uma nova forma de ver e criar o mundo!

Ao contrário da Indústria transformadora, emerge a indústria criativa! No paradigma anterior quanto mais raros eram os “ingredientes” mais valiosa se torna o produto transformado (ex: ouro, petróleo e etc.). A indústria criativa, pelo seu lado, tem como ingrediente as ideias. A inovação acontece quando juntamos muitas ideias, ou seja, quando as ideias se misturam e se reproduzem… Quando as ideias fazem sexo umas com as outras!

Esta é a grande mudança de paradigma e razão por ter aceite o convite para aderir a este blog: é necessário começar a evangelizar este novo modelo porque nas escolas e Universidades ainda se insiste em paradigmas que hoje estão em extinção!

O futuro constrói-se partilhando ideias! Uma ideia promiscua (do dicionário: misturado sem ordem) torna-se num conceito e num designio abraçado por muitos que a mistura com a sua versão logo, consequentemente, a adopta. Assim, se queremos construir uma solução para Portugal, temos de adoptar o novo paradigma económico e, para tal, temos de partilhar as nossas ideias, de conjugá-las com as ideias dos outros desenvolvendo um conceito inovador e abrangente.

A mudança de paradigma, de uma forma simples é:

O segredo já não é a alma do negócio. A alma é que é o segredo do negócio!

Quem adoptou muito bem este paradigma tornando-se hoje líder mundial foi Israel! Israel é onde mais startups são criadas “per capita”!

A pergunta feita pelo The Economist e repetida por todo o mundo é: “como é que Israel (um país com apenas 7,1 milhões de habitantes, com pouco mais de 60 anos de idade, cercado por inimigos, em guerra desde a sua fundação), consegue gerar mais startups do que países grandes, estáveis e pacíficos como China, Coreia ou Reino Unido?

Omer Pomerantz, sintetiza na alma, a razão deste fenómeno! Israel está em permanente estado de guerra. Trata-se de uma característica única a nível global. Num mundo plano e globalizado, cada país deve pensar sobre qual é o contributo que tem para oferecer ao planeta inteiro. Qual o desígnio do país? Por estar cercado por inimigos, Israel definiu esse desígnio: segurança!

Todo o país se envolveu na construção de um ecossistema empreendedor com base neste desígnio! Uma verdadeira revolução cultural, sustentada por uma mudança de paradigma das próprias universidades, apoiada pelo governo com fortes raízes de networking empresarial e voltado para um sentimento único nos jovens Israelitas: a fome de vencer! Quando se estuda e vai obrigatoriamente para a tropa correndo riscos de vida, o jovem Israelita torna-se ávido de fazer alguma coisa revoltado com a estrutura actual!

Em Portugal, ao contrário da Europa central, a nova geração (a mais qualificada de sempre!), tem razões para estar ávido… Esfomeado! A crise estrutural assim o obriga!

“Em tempos de crise, os economistas olham para baixo (leia-se: impondo austeridade como única saída possível!) mas, os empreendedores olham para cima (revolucionar e reinventar o sistema e a economia, a inovação como mola de crescimento económico!)”. Esta é a frase da Linda Rottenbreg directora global da Endeavor. Trata-se de uma organização que se dedica a impulsionar a revolução empreendedora em países sub-desenvolvidos ou em crise! Esta organização gera algo como 6,5 mil milhões de dólares!

Juliano, começou a aventura da Endeavor no Brasil. O Brasil não é como Israel nem os EUA… Provavelmente, nem como Portugal! A palavra empreendedorismo era desconhecida no Brasil quando a Endeavor se instalou. Mas o Brasil tem potencial! Um enorme mercado de 200 milhões, uma classe média que aumenta de numero aos milhões por ano, tem mais multi-milionários que população em Portugal e a sua economia cresce a bom ritmo. Os brasileiros não conheciam a palavra empreendedor mas a maioria dos jovens queria montar o seu próprio negócio!

A razão para a qual muitos jovens brasileiros querem criar o seu negócio é porque, simplesmente, existem no Brasil todas as condições de sucesso para um empreendimento! Existe um ecossistema!

Todos os meses, irei neste blog debruçar-me sobre desenvolver um ecossistema empreendedor para Portugal!

Afinal, se o Brasil tem 200 milhões, Portugal tem 500 (pois estamos na Europa!), a classe média e alta europeia é muito mais numerosa!

Talvez não tenhamos a fome dos Israelitas (ainda!), mas estamos a chegar a esse ponto!

Falta apenas o ecossistema! E esse começa com as ideias fazerem sexo… Com um bacanal de ideias!

Espero que este blog seja o incitador desse bacanal!

Jorge Saraiva

O Jorge é Business Angel na TST (Holanda). Para além desta atividade, dirige ainda o laboratório web/mobile CodeAngel (www.codeangel.eu) em Braga. É, ainda, presidente de um dos maiores movimentos cívicos na cidade de Braga: o Dish Mob.

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Author: Jorge Saraiva

O Jorge é Business Angel na TST (Holanda). Para além desta atividade, dirige ainda o laboratório web/mobile CodeAngel (www.codeangel.eu) em Braga. É, ainda, presidente de um dos maiores movimentos cívicos na cidade de Braga: o Dish Mob.

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