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Como mudar Portugal?

Todos reclamamos da situação económico-financeira vivida em Portugal. Ora culpamos os políticos, ora culpamos os bancos, ora culpamos o vizinho. A verdade é que raramente nos culpamos a nós próprios....

Todos reclamamos da situação económico-financeira vivida em Portugal. Ora culpamos os políticos, ora culpamos os bancos, ora culpamos o vizinho. A verdade é que raramente nos culpamos a nós próprios. Raramente pensamos que nos últimos 20 anos gastamos o que tínhamos e o que não tínhamos, que nos últimos 10 anos endividamo-nos como nunca e que sempre achamos que não teríamos que pagar pelos excessos cometidos.

Hoje provavelmente não pensamos assim. Descobrimos finalmente o fundo do buraco. Descobrimos que o Estado não pode continuar a acumular dívida e vivemos a vergonhosa situação de em menos de 40 anos termos pedido por 3 vezes ajuda ao exterior (FMI).

Eu pessoalmente não acredito que vão ser os partidos a resolver a situação. Não acredito que precisamos de um novo 25 de Abril para revolucionar a situação em que nos encontramos e não permito que alguém diga à minha frente que estávamos melhor durante a ditadura que vivemos durante 40 anos.

Assim, acredito que somos todos nós que podemos alterar a situação. Como? Através da criação de valor, pela via do empreendedorismo. Precisamos de criar empresas. Precisamos de incentivar a criação de empresas de base tecnológica com grande valor acrescentado e que podem voltar a colocar Portugal no mundo. Temos visto empresas nacionais a darem cartas pelo mundo fora. Mas precisamos de mais. Precisamos de condições mais atractivas para a criação de empresas quer em termos legais quer financeiros, mas acima de tudo, precisamos de mudar. Não podemos continuar a acreditar que um emprego é para toda a vida. Não podemos continuar a acreditar que o Estado tem a obrigação de garantir trabalho a toda a gente. Não podemos continuar a pensar que um curso nos garante um emprego. E não podemos continuar a querer ser igual a todos os outros. Temos que nos diferenciar. Temos que participar activamente no que acontece à nossa volta. Temos que nos envolver em diferentes projectos, projectos esses que podem ter um impacto social positivo e que nos apaixonam e nos fazer vibrar. Temos que brilhar no meio da multidão. Temos que seguir percursos diferentes, muitas vezes mais arriscados, mas que nos tornam melhores e mais fortes. Temos que querer fazer sempre mais, sempre melhor e sempre de uma forma mais inovadora.

Como? Desde logo temos que exigir mais do nosso sistema de ensino. Não podemos continuar a apostar num ensino que apenas exige a mediocridade e nunca a excelência. E quando falo em excelência não falo só em boas notas, mas também numa cultura de trabalho, de geração e desenvolvimento de ideias e de experimentação. Temos que permitir que os jovens errem, falhem, aprendam e cresçam. Temos que ser civicamente mais participativos. Envolvermo-nos mais na sociedade. Participarmos em campanhas de voluntariado,  participar nas assembleias municipais e sermos mais empreendedores em tudo o que fazemos. Não podemos continuar a esperar que os outros façam por nós. Temos que tomar a iniciativa, seguir em frente, desbravar caminho e sermos bons numa área que gostamos.

Depende de todos nós sairmos da situação em que nos encontramos. Vamos lá deixar de nos queixar, vamos olhar em frente e lutar por um Portugal melhor.

Para terminar, deixo-vos com esta citação do Steve Blank:

Be forever curious.
Volunteer for everything.
Show up a lot.
Treat failure as a learning experience.
Live life with no regrets.
Remembering…There is no undo button.

Inês Santos Silva

Co-fundadora e Chief Pirate Officer no Startup Pirates.

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25 Maio 2011 | Inês Santos Silva