Este post fez-me recordar que, em tempos idos (10 anos atrás) escrevi uma tese de mestrado em economia dedicada à fundamental questão “porque é que umas regiões se desenvolvem mais do que outras”.
Após a defesa, em vez de seguir o caminho “normal” de tentar publicar uns artigos ou mesmo um livro, decidi uma via alternativa: criar um portal (www.carloscerqueira.com) dedicado a esta área e permitir o download gratuito da tese, num pdf desbloqueado. A tarefa envolveu alguns meses da minha vida, a aquisição de uns calhamaços sobre deamweaver (sabia zero sobre programação Web) e uma boa dose de entusiasmo. Note-se que em 2001 as ferramentas de blogues ainda não estavam popularizadas, e sobretudo, eram bastantes rudimentares em termos de funcionalidades.
O site esteve online durante cerca de 4 anos, com muitos visitantes de todo o mundo lusófono (a tese está escrita em português), até que por falta de actualização e uma dificuldade do host provider aceitar o meu pagamento via cartão de crédito (mas tinha saldo, garanto…), decidi fechar a loja. By the way, o domínio agora é usado neste site, se alguém souber chinês (ou será japonês…), por favor, elucide-me sobre o que é que ando (pelos vistos…) a vender online.
De todo o modo, o gosto por esta questão nunca mais me abandonou, e alguns autores que consultei passaram a ser seguidos com grande entusiasmo (Krugmam, Porter, Romer, Scott, Storper, Benko, Lipietz…e Richard Florida).
É bastante conhecido o que Florida escreveu sobre este ponto. Talento, tecnologia e tolerância seriam os pontos chaves para uma região se desenvolver e, lá está, ser um ecossistema de inovação, cluster, meio inovador ou o termo que se queira usar. A tolerância, mesmo na obra de Florida, tem sido também desenvolvida como uma “espécie” de qualidade de vida que atrairia a “classe criativa” ou os talentos.
A soma de todos este factores é que consegue criar uma “entrepeneurship scene”, o ponto em que passa algo a ser óbvio para todos: para quem quiser começar uma empresa, aquele é o “o” lugar para fazê-lo.
Podemos ver aqui o caso de Austin, um dos novos “spots” do empreendedorismo nos EUA:
E em Portugal? Onde é que há uma “entrepeneurship scene”?
Em Coimbra, definitivamente, há uma. E os seus argumentos são conhecidos:
- Uma Universidade que tem gerado das mais importantes empresas tecnológicas;
- A 2ª melhor incubadora do mundo (declaração de interesses: trabalho no edifício ao lado) e uma rede de entidades que apoia empresas e empreendedores.
- Um ambiente vibrante de oportunidades e negócios.
Este último ponto não é propriamente tangível nem mensurável. É sim, algo que quando se começa a sentir que “está no ar”, então sabemos que temos uma verdadeira “cena de empreendedorismo”.
O que acham?
Para um mapeamento do que isso pode ser, fica aqui um modesto contributo, certamente incompleto, obviamente aberto a contribuições, e sobretudo, em permanente construção:

11 de Março de 2010 - 10:20
Excelente post. É muito bom ler qualquer coisa mais pessoal e menos “forward post” de vez em quando. Gostei também da análise que fez à cena coimbrã enquanto pólo de empreendedorismo, mas gostaria de acrescentar um outro factor: as duas junior-empresas de coimbra, jeKnowledge e JEEFEUC — não tenho dúvidas que são um simultaneamente um reagente e um produto desta cena coimbrã.
11 de Março de 2010 - 23:59
Caro João, a dica de adcionar a JeKnowledge e JEEFEUC está muito bem vista.
Onde poderiam ficar? Entrepeneurship trainning, abrindo um nó de” Junior enterprises”? O que sugere?
12 de Março de 2010 - 19:52
Pois, eu próprio não tenho bem a certeza e por isso mesmo omiti do meu comentário anterior
Mas sim, diria que uma júnior-empresa encaixa-se no training. Novamente, bom post.
12 de Março de 2010 - 21:56
Já está
Mais sugestões são bem vindas!
25 de Março de 2010 - 20:50
Parabéns pelo post,
Estou a frequêntar um mestrado de empreendedorismo em Portalegre, ESTG-IPP.
Não o consigo ajudar no seu site, de facto não conheço mandarim nem japonês, mas gostava de saber se a sua tese está disponível num outro site?
Gostava de ler para perceber, qual o caminho que cada região deve ter percorrer no futuro para se tornar mais competitiva.