Como financiar uma Startup?

Existem várias formas (felizmente…).

A primeira são os conhecidos 3F’s (friends, family and fools). Pode (e deve) ser considerado o “round zero” de financiamento (testar a ideia, website, apresentações, viagens e reuniões, etc.), mas fora casos extra$$$$$ordinários, esta opção não dá para muito mais.

O que fazer então?

1º Se estiver por perto, passe por um banco

Existe sempre a opção clássica de procurar financiamento junto da banca. A maior parte  dos bancos tem programas específicos de crédito para apoiar empreendedores, e embora muitos empreendedores se queixam da banca na altura de conseguir financiamento, não há nada como tentar a sorte com a CGD, BCP, BES, BPI, Santander, Banif e Montepio. E existe também o microcrédito, embora só para projectos com diminutas necessidades de capital.

2º Q-R-E-N (leia-se “crene”)

Outra opção é recorrer a programas de financiamento, como o empreendedorismo qualificado, ou as ILE’s, para quem estiver desempregado e possa beneficiar deste incentivo. Há também o SI I&DT, que embora não esteja vocacionada para financiar start-ups, pode ser um bom complemento a um projecto de elevada intensidade de tecnológica.

3º A Opção Celestial

Os “business angels” também são um boa opção para o início da empresa, porque normalmente, para além do dinheiro, costumam trazer contactos e experiência. Daí também serem chamados de “smart Money”.

Conforme refere o site da APBA (Associação Portuguesa de Business Angels), “(…) Os Business Angels possuem uma série de características em comum, como sejam, a realização de investimentos que normalmente variam entre os 25 000 e 500 000 euros; gostam de exercer a sua capacidade de mentoring dos projectos; buscam, não só um elevado retorno nos projectos em que investem, mas também novos desafios de preferência no seu país ou região.”  Este site contêm a lista do seus associados aqui.

Há também a FNBA (Federação Nacional de Associações de Business Angels), que tem  a lista das associações locais de BA’s: Vima Angels, Invicta Angels, Business Angels Covilhã, Business Angels Club, Club de Cascais, Alenbiz, Business Angels Algarve, Centro Business Angels, OPEN Business Angels e Assoc. B. A. Santaré.

Um dos principais promotores deste tipo de investidor tem sido o Francisco Banha, um dos mais conhecidos BA’s portugueses. Outros nomes para potenciais interessados: Mário Valente, que lançou recentemente a iniciativa Seed Capital e o Robert Boogaard da Adventure.

4º A opção “quem não arrisca…”.

O capital de risco é outra forma de financiar uma start-up. Como o nome indica, é  a entrada  no capital social de uma empresa, assegurando suporte financeiro ao seu desenvolvimento, e claro, com a expectativa de realizar lucro na saída, que normalmente é referido  como “mais-valias”. O site do IAPMEI tem uma boa explicação de como funciona o capital de risco, e neste site da APCR pode encontrar as moradas das principais empresas portuguesas de CR.

Dentro do capital de risco, há ainda a opção do Programa FINICIA, criado pelo IAPMEI para facilitar o acesso ao financiamento pelas empresas de menor dimensão, que tradicionalmente apresentam maiores dificuldades na sua ligação ao mercado financeiro. Esta programa alargou a base de acesso a capital e ao crédito em 3 eixos:  projectos de forte conteúdo inovador, ou seja “Big Money”, negócios emergentes de pequena escala (coisas à volta de 50.000 euros) e Iniciativas empresariais de interesse regional (apenas em alguns municípios). O Programa está representado em todo o país, e os contactos locais estão neste endereço (ficheiro xls).

5º A Opção GM

A Garantia Mútua é um sistema privado  de apoio às pequenas, médias e micro empresas (PME), que se traduz fundamentalmente na prestação de garantias financeiras para facilitar a obtenção de crédito em condições de preço e prazo adequadas aos seus investimentos e ciclos de actividade. Pode ver aqui com funciona, no site do IAPMEI, e quem são as empresas que o fazem ou no site garantia mútua.

(actulização por sugestão do comentário do Anibal Damião, thx)

And Now, “The Big Picture”:

E pronto, agora só precisam de um bom plano de negócios (bom = convincente + curto) e preparar uma boa apresentação do negócio.

Ah, e para quem quiser ajuda neste pontos (e noutros), há sempre a IPN Incubadora…

*A Série “Show Me the Money!” pretende mostrar opções de financiamento para empresas e projectos start-up. A expressão “show me the money” foi popularizada pelo filme Jerry Mcguire, numa cena em que Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr) explica ao seu agente Jerry Maguire (Tom Cruise) os fundamentos do negócio.

Nota: este post não pretende ser mais do que um resumo de algumas opções de financiamento de uma empresa, não cobrindo em detalhe nenhumas delas nem esgotando todas as possibilidades disponíveis.

Author: Carlos Cerqueira - IPN

Director de Inovação do Instituto Pedro Nunes

6 thoughts

  1. Penso que faltam aqui 2 muito importantes meios de financiamento: garantia mutua e financiamento por clientes.

    O primeiro não é muito divulgado, infelizmente, apesar de ser muito relevante e interessante.

    O segundo é talvez mais importante do que qualquer outro mencionado anteriormente pois permite uma mentalidade bootstrapped e virada para o cliente que tanta falta faz a muitas empresas.

  2. Caro Damião,

    Agradeço o comentário, e acrescentei a GM.
    A Nota colocada no fim era mesmo a sério, um post destes está sempre incompleto por natureza.

    O 2º ponto, “financiamento por clientes”, é obviamente uma importante fonte, que gostaria de conversar num próximo comentário.

  3. Bem, não só os clientes mas os fornecedores são excelentes financiadores numa fase inicial, os primeiros porque podemos acordar com eles adiantamentos e os segundos por prazos mais alargados que nos podem dar para os pagamentos…

    De resto, acho que, tendo em conta a realidade contemporânea, podemos dizer que a análise aos CR’s, VC’s e BA’s é um pouco pessimista

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