Sobre violinos, nichos de mercado e o Natal

Toda a gente sabe quanto custa um Stradivarius (cerca 1,5 M euros), e claro, que são os melhores violinos do mundo e os favoritos dos grandes mestres. Infelizmente, deixaram de se fabricar por volta de 1720 e só há cerca de 650 no mundo. O que fazer, então?

Melhores violinos, claro. Melhores que um Stradivarius?! Pelo menos tão bons quanto, é o que diz o violinista Christian Tetzlaff sobre os violinos produzidos pelo “luthier” Peter Greiner. Christian Tetzlaff costumava tocar com um Strad e um Guadagnini, mas agora usa violinos Greiners e os espectadores geralmente acham que está a usar um strad. Christian acha que os violinos contemporâneos oferecem uma qualidade soberba por uma fracção do preço dos clássicos. Outro “fã” é o violinista chinês Ning Feng, que toca com um Greiner de 2007 (ver vídeo).

Mas os violinos Greiner não nascem dum vulgar linha de montagem. A missão de Greiner é construir um violino que soe próximo da voz humana, o que significa estar entre os 2000 e os 4000 Hz. Para isso, trabalha com físico Heinrich Dünnwald, que conheceu enquanto estudante da Universidade de Colónia. Com a ajuda de uma técnica de medição por si desenvolvida, Dünnwald tinha feito tentativas de investigar o espectro sonoro do violino, quando ainda estava na Escola Técnica Superior de Aachen. Em Greiner ele encontrou o perfeito incentivador e parceiro. Em conjunto investigaram mais de mil violinos, entre eles instrumentos de Stradivari e Guarneri. Alguns foram até avaliados com a ajuda de um tomógrafo computadorizado. O resultado: violinos que produzem um som considerado agradável são os que  apontam para características sonoras semelhantes à do canto humano.

Pode ser um nicho de mercado, mas é um nicho bem apetecível. Com um preço de venda à volta do 20.000 euros, Greiner produz cerca de 250 violinos por ano e a lista de clientes não para de crescer. As filarmónicas de Viena e de Berlim estão entre eles, e até mesmo a super-estrela  Anne-Sophie Mutter teve de se contentar com um lugar na lista de espera. Os restantes artistas da lista devem ter de esperar quatro anos, já que Greiner dificilmente se contenta com um resultado “menos que perfeito”. “

E para quem não souber fabricar violinos, qual a moral da história? O importante é encontrar uma necessidade do mercado, seguir os conselhos do Porter (vantagem competitiva, via diferenciação ou preço)  para encontrar um solução e (com ou sem medo), avançar. Para aqueles que não quiserem seguir os conselhos do Porter, podem sempre experimentar o Oceano Azul, que refuta a dicotomia preço/diferenciação, mas também está bem.

E o Natal?  Tempo de paz, amor, de ter tempo para escrever posts mais longos e ler a dupla edição de Natal do The Economist para aprender um pouco mais sobre fabricantes de violinos…

Foto por kcphotos.

Author: Carlos Cerqueira - IPN

Director de Inovação do Instituto Pedro Nunes

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