Entrevista a João Santos – Market Blink e Weemagine

João Santos, 27 anos, ex-aluno da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e agora director-geral da MarketBlink e Weemagine, responde às perguntas do ineo em relação ao seu percurso empreendedor:

MG: “Para sair da actual crise que enfrentamos, precisamos de mais e melhores empreendedores”, esta, é uma das afirmação que mais ouvimos nos meios de comunicação, no entanto, nem sempre é fácil dar o primeiro passo e empreender. João, participaste na criação do núcleo de estudantes de gestão da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra,  na criação da JEEFEUC – júnior empresa da mesma faculdade, és fundador da Market Blink e da Weemagine; consegues-nos explicar  de onde nasceu essa vontade de criar organizações?
JS: O desafio de começar algo do zero e trabalhar para a sua sustentabilidade é o que mais me motiva. Procurar gerar ideias e negócios diferentes mas sustentáveis, ou simplesmente abordar ideias de forma diferente, é desafiante e motivador.

MG: Qual a importância que dás à tua experiência académica e associativa em Coimbra, e de que forma ela contribuiu para a tua vida profissional?
JS: Aprendi e evoluí muito com a minha experiência associativa, esta contribuiu muito para o que sou hoje. A vida associativa preparou-me para o dia a dia de empresário e gestor de equipas e projectos porque obrigou-me, no bom sentido da palavra, a não ter horários, a lidar e a gerir equipas muito diferentes e a criar algo com poucos meios mas sempre com objectivos ambiciosos.

MG: Actualmente, quais são os teus maiores projectos, e qual o modelo de negócio que está por detrás de cada um deles?
JS: A Market Blink tem como modelo de negócio a prestação de um serviço de marketing completo, que chamamos de marketing orientado para resultados, onde a remuneração é uma percentagem dos resultados obtidos. Neste momento a equipa da Market Blink só trabalha para três projectos principais, que se desdobram em várias áreas de actuação. O futuro da Market Blink será gerar ideias de negócio e colaborar no desenvolvimento destas.
A Weemagine desenvolve aplicações web sendo a primeira, o www.weebiz.com. O Weebiz é uma comunidade de empresas, um centro de negócios online com uma perspectiva global. O seu modelo de negócio tem como base contas pagas, existindo também uma conta gratuita, e publicidade.
O Weebiz é um projecto ambicioso e pretendemos que dentro de 2 anos seja uma referência global no encontrar de oportunidades de negócio entre empresas.

MG: De que forma seleccionas as pessoas que convidas a participar nos teus projectos?
JS: Grande parte dos membros das equipas da Market Blink e da Weemagine trabalharam comigo na JEEFEUC. Regra geral convido pessoas com quem trabalhei no passado, mas também analiso e aceito novos membros com base na abordagem que fazem e nas suas experiências passadas.

MG: De que forma lidas com a concorrência?
JS: Tento acompanhar a concorrência de perto. É importante ter uma noção de como os nossos concorrentes e produtos/serviços substitutos evoluem sendo também importante fazer previsões sobre as suas estratégias de curto e longo prazo.

MG: Que importância dás ao networking e à construção de boas relações para ser um empreendedor de sucesso?
JS: O networking é relativamente importante para um empreendedor de sucesso mas não é fundamental. Reconheço a sua importância para abrir “portas” e trocar experiências, mas para ser um empreendedor de sucesso é preciso muito mais. Sem um bom produto/serviço/ideia e sem o dinamismo necessário para a desenvolver de nada vale ter boas relações.

MG: Qual tem sido a chave para o desempenho/sucesso que tens tido até agora?
JS: Empenho, dedicação e gostar muito do que faço são as chaves para o meu desempenho.
É muito importante que, quem queira começar um projecto, tenha a noção de que é preciso trabalhar muito e para conseguir trabalhar muito e bem, tem que se gostar muito do que se faz.
Há uma citação de Confúcio que diz qualquer coisa como, “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” Foi isso que tentei fazer.

MG: Que livros ou recursos recomendarias a jovens empreendedores?
JS: Para jovens empreendedores recomendo, o “Novos Líderes” de Daniel Goleman – para gestão de equipas, o “Arte da Guerra” de Sun Tzu – para desenvolvimento do pensamento estratégico, o “A Estratégia do Oceano Azul” de W. Chan Kim e Renée Mauborgne – sobre dinâmicas de mercado e concorrência, o “Quem mexeu no meu queijo” de Spencer Johnson – sobre a mudança, e o “Buzzmarketing” de Mark Hughes – para comunicação e marketing.
Também gosto de ler, e recomendo, livros sobre o desenvolvimento de algumas empresas, nomeadamente sobre a Google, a Apple, entre outras, e algumas biografias de empreendedores, onde a minha referência é o Steve Jobs.

MG: Se pudesses indicar uma e apenas uma, qual seria a coisa mais importante que aprendeste sobre os negócios?
JS: Que os problemas existem para ser resolvidos. Esta é a grande lição que aprendi e que consegue abranger todas as áreas em que trabalho. Todos os dias em qualquer actividade empresarial existem problemas, sejam estes grandes ou pequenos, e é muito importante ter em mente que eles vão existir regularmente e que não vale a pena desmotivar ou desesperar, queixarmo-nos da sorte, etc. É importante abordar todos os problemas com calma e resolvê-los rápida e eficazmente. Estar no mundo dos negócios e em mercados concorrenciais não é fácil, é preciso ter isso sempre em mente.

MG: Para terminar, que conselho darias a um jovem empreendedor que esteja para arrancar com um negócio?
JS: Aconselho a qualquer empreendedor que, antes de avançar com um projecto, o analise e planeie de forma sincera e de duas perspectivas, produto/serviço e negócio. É muito fácil gerar falsas expectativas (por exemplo, previsões exageradas) e exacerbar todas as qualidades do novo projecto sem reconhecer as suas fraquezas. Só conhecendo as fraquezas do projecto é que o conseguimos melhorar.

Miguel Dias Gonçalves

Gestor de Projetos na Divisão de Inovação e Transferências do Saber da Universidade de Coimbra

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Author: Miguel Dias Gonçalves

Gestor de Projetos na Divisão de Inovação e Transferências do Saber da Universidade de Coimbra

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